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Mostrando postagens de 2026

Regularização fundiária na Amazônia e o futuro Presidente do Brasil

  * Ecio Rodrigues Desde a virada do século que o entrave sobre a identificação do proprietário de terras na Amazônia foi diagnosticado e detalhado em estatísticas precisas, robustas e inquestionáveis. Quem não se recorda do excelente filósofo e ministro com sotaque carregado, Roberto Mangabeira Unger, que ainda em 2008 quando a instituição foi rebatizada de Secretaria de Assuntos Estratégicos, afirmava que não há desenvolvimento para terra sem dono. Em síntese, seria impossível planejar o desenvolvimento de uma região, em qualquer lugar do mundo, sem que a regularização fundiária não estivesse concluída como precondição para decisão de investimento, privado e estatal. Agora imagine que nesse lugar do mundo em que a propriedade é questionável, que não possui segurança jurídica para sustentar algum tipo de investimento, a terra está coberta por uma floresta tropical com elevada biodiversidade que, por sua vez, garante um dos maiores e exuberantes ciclos hidrológicos do plane...

Acordo de Paris e o futuro Presidente do Brasil

  * Ecio Rodrigues Em 1992 o Brasil sediou a, até então, mais importante Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida por Rio 92, em homenagem à cidade carioca que foi o palco dos debates. Durante mais de 20 dias em torno de 190 países associados à ONU se debruçaram no dilema entre conter o uso da energia gerada pelo petróleo de maneira a evitar o aquecimento do planeta. Havia muita dúvida acerca da vinculação do carbono contido na fumaça que sai da queima do petróleo e também do desmatamento e queimadas, inclusive quando realizada em pastos degradados pelo uso ininterrupto, e a elevação da temperatura planetária. Era tipo assim: O planeta está aquecendo, mas a culpa poderia ser da própria natureza que tem lá seus mistérios. Ou, por outro lado, a temperatura aumentava em decorrência da queima de petróleo que havia começado desde a primeira guerra mundial e se transformado, no final do século, no combustível que movimentava a economia mundial. P...

Hidrelétricas na Amazônia e o futuro Presidente do Brasil

* Ecio Rodrigues Com a oferta de grandes quedas de água para construção de usinas hidrelétricas, de grande capacidade, quase esgotada em outras regiões do país a Amazônia se mostra como alternativa prioritária. Da mesma forma que nenhum país do mundo poderia deixar de explorar a quantidade de petróleo existente na margem equatorial, que, não custa repetir, se encontra bem distante, mais de 500 km, da foz do grande Rio Amazonas, a construção de novas hidrelétricas na Amazônia deve ser encarada como um imperativo nacional. Razões não faltam, mas duas delas merecem destaque: a demanda crescente por geração de energia elétrica e a urgência em ampliar a quantidade de água estocada em reservatórios na Amazônia. Antes, merece discutir que ainda há, infelizmente diga-se, certo preconceito, por óbvio bastante irracional, com relação à execução das obras de barragens dos rios para instalação das turbinas que vão, por sua vez, transformar a força das águas em energia elétrica. Alguns se...

Desmatamento na Amazônia e o futuro Presidente do Brasil

  * Ecio Rodrigues Ninguém poderá negar que em toda série histórica de medições realizadas pelo reconhecido Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, sobre o desmatamento na Amazônia, que completará 40 anos em 2027, o período mais perigoso aconteceu entre 2019 a 2022. Nossa memória não costuma ser das melhores e a imprensa, que deveria zelar para que fatos de extrema importância não caiam no esquecimento, também não faz sua parte. Relembrando, foi durante o mandato do governo federal anterior ao atual que o Inpe sofreu um dos maiores ataques a sua prestigiosa reputação, quando a presidência da república publicava insinuações irresponsáveis de que a instituição media o desmatamento, ou divulgava os dados, em conluio com organizações não governamentais nacionais e internacionais. Argumento estúpido, para dizer o mínimo, mas que, infelizmente, contou com o silêncio ou anuência velada de comentaristas e jornalistas que atuam no cotidiano da informação. No fundo, o que ...

Entraves da Amazônia e o futuro Presidente do Brasil

  * Ecio Rodrigues Durante os quase 20 anos ministrando aulas para cursos de nível superior nas áreas de desenvolvimento sustentável e política regional no Acre, costumava repetir ser capaz de palestrar por 30 minutos sobre os entraves que impediam a Amazônia de alcançar níveis nacionais de IDH. Muitos alunos, como era de se esperar diante do afastamento preocupante da realidade regional que impera nas universidades federais da Amazônia, de pronto demonstravam sua incredulidade afirmando que não havia docente em condições de dominar temas tão díspares que vão do desmatamento à zona franca de Manaus passando pela bioeconomia, tudo em um bioma complexo da dimensão da Amazônia. Acredito e posso estar muito errado, que venci todos os desafios impostos pelos alunos, com a boa vantagem de que os temas colocados, de imediato, por cada turma para serem apresentados, de improviso, quase sempre se limitavam ao desmatamento e hidrelétricas. Por óbvio, os entraves da Amazônia vão bem a...

Paisagem dos morros no Rio de Janeiro degradados pela pecuária vai mudar

  * Ecio Rodrigues Para aqueles que possuem o privilégio de trafegar de carro pela rodovia BR 101, em especial no litoral do Rio de Janeiro e mais especial ainda na região entre Rio das Ostras até a divisa com São Paulo, a paisagem da mata atlântica é uma dádiva. Regiões de montanha que de maneira quase sempre abrupta se conectam às praias e ao mar deixam os expectadores deslumbrados com a exuberância de um ecossistema de beleza única no mundo. Até que surgem os morros sem árvores, que foram desmatados desde muito tempo, ainda nos primórdios dos plantios de cana-de-açúcar e de café, nos idos dos séculos XVII e até início do XX, respectivamente durante os ciclos econômicos de cada uma das commodities, até que a história passou e a improdutiva pecuária extensiva se tornou hegemônica. Se antes havia um proposito econômico, uma vez que cana-de-açúcar e café pautaram as exportações nacionais por um longo e lucrativo período, a ocupação pela pecuária extensiva possui retorno econ...

Finalmente, produção de madeira da Amazônia chega na Bolsa de Valores

  * Ecio Rodrigues Para quem acompanha as idas e vindas do processo de concessão florestal, destinado à privatização da produção de madeira amazônica em áreas públicas, o leilão realizado na Bolsa de Valores parece até vertigem. Mas não é, a produção de madeira nativa da Amazônia virou negócio para o andar de cima do mercado. No último dia 25 de agosto, a empresa B2 venceu o leilão para explorar duas UMF (unidades de manejo florestal) pagando um total de 14,6 milhões de Reais ao Serviço Florestal Brasileiro, órgão que gerencia o Fundo de Desenvolvimento Florestal que recepciona os recursos auferidos no Contrato de Concessão. Outra indústria, a Madeirantes, por sua vez, vai pagar 4,4 milhões de Reais para usar a tecnologia de manejo florestal explorando madeira de maneira segura para a sociedade e o meio ambiente e, o melhor, todos os anos e para sempre. Não é fácil para os brasileiros e o povo da Amazônia compreender de que maneira a derrubada de árvores, destopamento dos...

Diretor de "O Fim da rua" não fez o fundamental

  * Ecio Rodrigues Se você não gazetou as aulas de ciências, biologia, matemática e física, para ficar nas disciplinas mais empolgantes, do ensino fundamental ficará assustado com a capacidade do Diretor e roteirista do filme “O fim da rua” desconhecer princípios elementares sobre o Homo sapiens . Com produção esmerada e com atuação distraída de atores que são celebridades, daquele tipo que a indústria cinematográfica apresenta em época de férias com intuito de divertir e, claro, apostando que dará muito lucro, o filme assinado pelo reconhecido J.J. Abrams, que tem no currículo produções como a série Fronteiras, assusta pela capacidade de errar sobre quase tudo, várias vezes. Um evento inacreditável faz com que um bairro inteiro seja transportado para o tempo dos dinossauros, algo impossível para o conhecimento atual da física, astronomia e por aí afora, mas as imundícies não ficam por aí. Depois de custarem a acreditar no ocorrido, uma família com graves indícios de disfun...

STF valida Moratória da Soja

  * Ecio Rodrigues Quando um seleto grupo de entidades ambientalistas, com atuação nacional e internacional, conceberam, articularam e conseguiram um igualmente seleto grupo de produtores dispostos a firmarem o que se chamou de Moratória da Soja, muitos não acreditaram, este articulista inclusive. Felizmente, dede o início do século o acordo da Moratória da Soja, com regras mais rigorosas que as do Código Florestal sobre a ampliação de novos cultivos da oleaginosa em áreas desmatadas após 2008, está em vigor e, o mais importante, com resultados impressionantes. Alguns, sempre insatisfeitos com o aprimoramento do capitalismo, se apressaram em gritar que tendo em vista que o impressionante pacto social só valia para o cultivo de soja, o desmatamento destinado a ampliação da pecuária extensiva, que representa na verdade mais de 80% do total das novas áreas desmatadas todos os anos, continuaria a ocorrer. Tal como demonstram as estatísticas anuais sobre desmatamento na Amazonia...

Rejeição eleitoral contamina debate sobre desenvolvimento do Acre

  * Ecio Rodrigues De todos é bem provável que o maior equívoco cometido pelos defensores de um caminho alternativo para o modelo de desenvolvimento do Acre tenha sido sua associação com determinado partido político. Considerando que desde o final do século passado a pecuária extensiva, ao depender do aumento anual do desmatamento, encontrava resistência insuperável para se consolidar como referencia principal da economia no Acre, alguma saída deveria ser analisada pela sociedade. Acontece que no debate sobre alternativa ao modelo de desenvolvimento trazido pela pecuária extensiva, muitos discordavam em relação ao potencial da biodiversidade florestal para prover a riqueza necessária. Entretanto, havia e há consenso razoável entre os estudiosos sobre modelos de desenvolvimento regional, pesquisadores de diversas áreas e nas universidades, em relação ao correto diagnóstico de que o caminho do progresso do Acre não se sustenta na pecuária extensiva. Associar a alternativa e...

Então, Florestania foi só retórica mesmo?

  * Ecio Rodrigues Em caso afirmativo funcionou, posto que por todo tempo em que a retórica foi repetida à exaustão comoveu a sociedade despertando emoção e lógica, tudo bem de acordo com o manual de discurso político e o receituário que promete o paraíso com único propósito de vencer eleições. Em caso negativo deu tudo errado! Se fosse para ser de verdade, pouco se fez para alterar a realidade e os defensores do Projeto Florestania não entenderam que, antes deles, um conjunto expressivo de pesquisadores, técnicos e engenheiros haviam exposto os riscos e limites do modelo de desenvolvimento baseado na pecuária extensiva. Na constrangedora e de certa maneira merecida derrocada eleitoral ocorrida em 2018 restou claro aos poucos abnegados que ainda se mantinham fiéis aos ideais do modelo de desenvolvimento sintetizado na expressão Saída pela Floresta que as lideranças políticas, todos que por sinal receberam expressivas votações nos vinte anos anteriores, tinham, de concreto,...

Nenhum candidato ao governo do Acre defenderá o Florestania

  * Ecio Rodrigues Parece que nem existiu, mas não foi bem assim, o modelo de desenvolvimento conhecido pela simplificação Saída pela Floresta , representa uma alternativa para economia que deveria ser discutida por todos que se preocupam com o futuro do Acre. Se contrapondo à estagnação econômica trazida pelo modelo que tem na pecuária extensiva sua principal referencia para o progresso estadual, o Projeto Florestania, em 1999, ao adotar os pressupostos da Saída pela Floresta politizou e ao mesmo tempo contaminou um debate que deveria ser inevitável. Para quem não se recorda o Acre nos últimos 20 anos do século passado viveu momentos de detalhados estudos sobre as alternativas possíveis para gerar riqueza e trabalho de maneira sustentável para sua população. Foi um momento oportuno que atraiu a atenção do país, muito devido ao trabalho sindical de Chico Mendes, que demonstrou que os custos sociais e ambientais dos desmatamentos não seriam cobertos pelo PIB da pecuária ext...

Quinta pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues O momento era oportuno, pois a instalação de alternativas para geração de energia elétrica, a partir de fontes consideradas de tecnologia limpa, em substituição à queima de óleo diesel, era incentivada e gozava de expressivo apoio na imprensa, mas nada mudou no Acre. Considerada a energia elétrica mais cara do país, 100% da geração de energia elétrica no Acre tinha, na virada do atual século, origem em geradores acionados por motores movidos a óleo diesel, sendo que cada litro queimado demandava outro no transporte de caminhão e balsa até a usina localizada em Rio Branco. O momento era oportuno também posto que a matriz de geração de energia elétrica nacional passava por um profundo, tardio e muito necessário processo de privatização, de maneira a superar os elevados prejuízos econômicos e sociais causados pela bastante deficitária estatal Eletroacre. Todos concordavam e ainda devem concordar que está no altíssimo custo da energia elétrica o principal lim...

Quarta pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

 * Ecio Rodrigues Interromper, de maneira brusca, os mais de sessenta anos de apoio estatal com fartura de terra com florestas e capital fornecidos ao modelo de desenvolvimento da pecuária extensiva seria suicídio eleitoral. Um período de transição planejado em direção ao novo modelo chamado de Saída pela Floresta se mostrava inevitável e urgente. Com etapas bem definidas, o processo de transição dependia da aprovação de uma legislação condizente com a promoção do PIB Florestal, da publicação de atos normativos para adequar a gestão pública, da redefinição da missão e visão de futuro da estrutura organizacional e, finalmente, do investimento na geração de eletricidade por meio da queima de biomassa florestal. Nada disso aconteceu! Mais grave ainda, após sua transformação em Projeto Florestania, toda produção teórica e os conceitos que deram sustentação ao modelo de desenvolvimento Saída pela Floresta, que naquela ocasião se encontrava em franca expansão, foi paralisada sem que os m...