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Mostrando postagens de 2026

Paisagem dos morros no Rio de Janeiro degradados pela pecuária vai mudar

  * Ecio Rodrigues Para aqueles que possuem o privilégio de trafegar de carro pela rodovia BR 101, em especial no litoral do Rio de Janeiro e mais especial ainda na região entre Rio das Ostras até a divisa com São Paulo, a paisagem da mata atlântica é uma dádiva. Regiões de montanha que de maneira quase sempre abrupta se conectam às praias e ao mar deixam os expectadores deslumbrados com a exuberância de um ecossistema de beleza única no mundo. Até que surgem os morros sem árvores, que foram desmatados desde muito tempo, ainda nos primórdios dos plantios de cana-de-açúcar e de café, nos idos dos séculos XVII e até início do XX, respectivamente durante os ciclos econômicos de cada uma das commodities, até que a história passou e a improdutiva pecuária extensiva se tornou hegemônica. Se antes havia um proposito econômico, uma vez que cana-de-açúcar e café pautaram as exportações nacionais por um longo e lucrativo período, a ocupação pela pecuária extensiva possui retorno econ...

Finalmente, produção de madeira da Amazônia chega na Bolsa de Valores

  * Ecio Rodrigues Para quem acompanha as idas e vindas do processo de concessão florestal, destinado à privatização da produção de madeira amazônica em áreas públicas, o leilão realizado na Bolsa de Valores parece até vertigem. Mas não é, a produção de madeira nativa da Amazônia virou negócio para o andar de cima do mercado. No último dia 25 de agosto, a empresa B2 venceu o leilão para explorar duas UMF (unidades de manejo florestal) pagando um total de 14,6 milhões de Reais ao Serviço Florestal Brasileiro, órgão que gerencia o Fundo de Desenvolvimento Florestal que recepciona os recursos auferidos no Contrato de Concessão. Outra indústria, a Madeirantes, por sua vez, vai pagar 4,4 milhões de Reais para usar a tecnologia de manejo florestal explorando madeira de maneira segura para a sociedade e o meio ambiente e, o melhor, todos os anos e para sempre. Não é fácil para os brasileiros e o povo da Amazônia compreender de que maneira a derrubada de árvores, destopamento dos...

Diretor de "O Fim da rua" não fez o fundamental

  * Ecio Rodrigues Se você não gazetou as aulas de ciências, biologia, matemática e física, para ficar nas disciplinas mais empolgantes, do ensino fundamental ficará assustado com a capacidade do Diretor e roteirista do filme “O fim da rua” desconhecer princípios elementares sobre o Homo sapiens . Com produção esmerada e com atuação distraída de atores que são celebridades, daquele tipo que a indústria cinematográfica apresenta em época de férias com intuito de divertir e, claro, apostando que dará muito lucro, o filme assinado pelo reconhecido J.J. Abrams, que tem no currículo produções como a série Fronteiras, assusta pela capacidade de errar sobre quase tudo, várias vezes. Um evento inacreditável faz com que um bairro inteiro seja transportado para o tempo dos dinossauros, algo impossível para o conhecimento atual da física, astronomia e por aí afora, mas as imundícies não ficam por aí. Depois de custarem a acreditar no ocorrido, uma família com graves indícios de disfun...

STF valida Moratória da Soja

  * Ecio Rodrigues Quando um seleto grupo de entidades ambientalistas, com atuação nacional e internacional, conceberam, articularam e conseguiram um igualmente seleto grupo de produtores dispostos a firmarem o que se chamou de Moratória da Soja, muitos não acreditaram, este articulista inclusive. Felizmente, dede o início do século o acordo da Moratória da Soja, com regras mais rigorosas que as do Código Florestal sobre a ampliação de novos cultivos da oleaginosa em áreas desmatadas após 2008, está em vigor e, o mais importante, com resultados impressionantes. Alguns, sempre insatisfeitos com o aprimoramento do capitalismo, se apressaram em gritar que tendo em vista que o impressionante pacto social só valia para o cultivo de soja, o desmatamento destinado a ampliação da pecuária extensiva, que representa na verdade mais de 80% do total das novas áreas desmatadas todos os anos, continuaria a ocorrer. Tal como demonstram as estatísticas anuais sobre desmatamento na Amazonia...

Rejeição eleitoral contamina debate sobre desenvolvimento do Acre

  * Ecio Rodrigues De todos é bem provável que o maior equívoco cometido pelos defensores de um caminho alternativo para o modelo de desenvolvimento do Acre tenha sido sua associação com determinado partido político. Considerando que desde o final do século passado a pecuária extensiva, ao depender do aumento anual do desmatamento, encontrava resistência insuperável para se consolidar como referencia principal da economia no Acre, alguma saída deveria ser analisada pela sociedade. Acontece que no debate sobre alternativa ao modelo de desenvolvimento trazido pela pecuária extensiva, muitos discordavam em relação ao potencial da biodiversidade florestal para prover a riqueza necessária. Entretanto, havia e há consenso razoável entre os estudiosos sobre modelos de desenvolvimento regional, pesquisadores de diversas áreas e nas universidades, em relação ao correto diagnóstico de que o caminho do progresso do Acre não se sustenta na pecuária extensiva. Associar a alternativa e...

Então, Florestania foi só retórica mesmo?

  * Ecio Rodrigues Em caso afirmativo funcionou, posto que por todo tempo em que a retórica foi repetida à exaustão comoveu a sociedade despertando emoção e lógica, tudo bem de acordo com o manual de discurso político e o receituário que promete o paraíso com único propósito de vencer eleições. Em caso negativo deu tudo errado! Se fosse para ser de verdade, pouco se fez para alterar a realidade e os defensores do Projeto Florestania não entenderam que, antes deles, um conjunto expressivo de pesquisadores, técnicos e engenheiros haviam exposto os riscos e limites do modelo de desenvolvimento baseado na pecuária extensiva. Na constrangedora e de certa maneira merecida derrocada eleitoral ocorrida em 2018 restou claro aos poucos abnegados que ainda se mantinham fiéis aos ideais do modelo de desenvolvimento sintetizado na expressão Saída pela Floresta que as lideranças políticas, todos que por sinal receberam expressivas votações nos vinte anos anteriores, tinham, de concreto,...

Nenhum candidato ao governo do Acre defenderá o Florestania

  * Ecio Rodrigues Parece que nem existiu, mas não foi bem assim, o modelo de desenvolvimento conhecido pela simplificação Saída pela Floresta , representa uma alternativa para economia que deveria ser discutida por todos que se preocupam com o futuro do Acre. Se contrapondo à estagnação econômica trazida pelo modelo que tem na pecuária extensiva sua principal referencia para o progresso estadual, o Projeto Florestania, em 1999, ao adotar os pressupostos da Saída pela Floresta politizou e ao mesmo tempo contaminou um debate que deveria ser inevitável. Para quem não se recorda o Acre nos últimos 20 anos do século passado viveu momentos de detalhados estudos sobre as alternativas possíveis para gerar riqueza e trabalho de maneira sustentável para sua população. Foi um momento oportuno que atraiu a atenção do país, muito devido ao trabalho sindical de Chico Mendes, que demonstrou que os custos sociais e ambientais dos desmatamentos não seriam cobertos pelo PIB da pecuária ext...

Quinta pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues O momento era oportuno, pois a instalação de alternativas para geração de energia elétrica, a partir de fontes consideradas de tecnologia limpa, em substituição à queima de óleo diesel, era incentivada e gozava de expressivo apoio na imprensa, mas nada mudou no Acre. Considerada a energia elétrica mais cara do país, 100% da geração de energia elétrica no Acre tinha, na virada do atual século, origem em geradores acionados por motores movidos a óleo diesel, sendo que cada litro queimado demandava outro no transporte de caminhão e balsa até a usina localizada em Rio Branco. O momento era oportuno também posto que a matriz de geração de energia elétrica nacional passava por um profundo, tardio e muito necessário processo de privatização, de maneira a superar os elevados prejuízos econômicos e sociais causados pela bastante deficitária estatal Eletroacre. Todos concordavam e ainda devem concordar que está no altíssimo custo da energia elétrica o principal lim...

Quarta pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

 * Ecio Rodrigues Interromper, de maneira brusca, os mais de sessenta anos de apoio estatal com fartura de terra com florestas e capital fornecidos ao modelo de desenvolvimento da pecuária extensiva seria suicídio eleitoral. Um período de transição planejado em direção ao novo modelo chamado de Saída pela Floresta se mostrava inevitável e urgente. Com etapas bem definidas, o processo de transição dependia da aprovação de uma legislação condizente com a promoção do PIB Florestal, da publicação de atos normativos para adequar a gestão pública, da redefinição da missão e visão de futuro da estrutura organizacional e, finalmente, do investimento na geração de eletricidade por meio da queima de biomassa florestal. Nada disso aconteceu! Mais grave ainda, após sua transformação em Projeto Florestania, toda produção teórica e os conceitos que deram sustentação ao modelo de desenvolvimento Saída pela Floresta, que naquela ocasião se encontrava em franca expansão, foi paralisada sem que os m...

Terceira pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues Desde que o segundo ciclo econômico da borracha foi dado por encerrado e as políticas de promoção da extração da Hevea , incluindo sua mais importante agência de fomento a Sudhevea e agente de crédito o Basa, foram sepultadas que os elevados recursos públicos destinados ao desenvolvimento regional no Acre migraram para subsidiar a pecuária extensiva. A partir da década de 1960, com alguns breves momentos em que a gritaria pública pelo abandono do seringal tradicional e do produtor seringueiro à própria sorte arrancou um pouco de investimento para a borracha, a pecuária extensiva recebeu tudo que precisava: muito capital, fartura de terra com floresta e alguma força de trabalho. Para colocar em prática o modelo de expansão produtiva que tornou hegemônica a pecuária extensiva, que atualmente ocupa quase 100% das terras com logística favorável na margem dos principais rios (Juruá, Purus e Acre) e rodovias (BR364 e 317) em que o desmatamento em algumas localida...

Reforma agrária acabou em 2012, podemos extinguir o Incra!

  * Ecio Rodrigues Em excelente artigo publicado no jornal Estadão, no dia 28 de abril último, Paulo Freire Mello, agrônomo com doutorado e trajetória reconhecida no estudo do setor rural nacional faz duas contundentes afirmações: a reforma agrária foi concluída em 2012 e podemos encerrar as atividades do Incra. Ambas as conclusões são verdadeiras e comprovadas em robustas estatísticas compulsadas tanto pelo autor quanto por um conjunto expressivo de especialistas, incluindo, o igualmente reconhecido, Xico Graziano no artigo “O Incra deveria ser extinto” publicado no jornal eletrônico Poder360 em 12/05/2026. Com relação a primeira conclusão de que a reforma agrária brasileira foi concluída em 2012, Paulo Freire Mello defende que nos moldes e para os objetivos definidos na legislação agrária nacional não há terra e tampouco produtores para novos assentamentos rurais. Com recordes de assentamentos obtidos durante o governo FHC, desde a década de 1990 a quantidade de produtore...

Segunda pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues Os grandes eventos ocorridos no Acre durante a última década do século passado, em especial no período posterior à criação das duas primeiras Reservas Extrativistas brasileiras nos vales dos rios Acre e Juruá, demonstraram a importância para o país e para o mundo do modelo de desenvolvimento, grosso modo, chamado de Saída pela Floresta . Não havia dúvida para a imensa maioria dos participantes e eram muitos, talvez milhares, que ao se apresentar como alternativa à pecuária extensiva, sempre associada aos objetivos do desmatamento, a proposta da Saída pela Floresta com seu desmatamento zero poderia atrair investimentos, estatal e particular, em montante jamais almejado pela criação de boi solto no pasto. E foi o que aconteceu! Após ser transformado em plataforma eleitoral e logo depois no Programa Florestania, todas as três grandes agências de financiamento ao desenvolvimento regional (BNDES, BID e Banco Mundial) liberaram empréstimos e doações em um volu...

Perguntas que os órfãos do Projeto Florestania deveriam responder

  * Ecio Rodrigues Em seu decisivo momento, durante as duas primeiras das cinco eleições consecutivas vencidas pelos líderes políticos do Projeto Florestania, algumas perguntas consideradas elementares para um modelo de desenvolvimento no Acre deveriam, mas não foram, respondidas. Mais grave ainda é que ao se esquivar de responder o Projeto Florestania deixou, por um lado, um vazio teórico que dificulta seu detalhamento por economistas, engenheiros e outros estudiosos que poderiam dar continuidade à importante discussão sobre estratégias de desenvolvimento no Acre. E bem mais grave, por outro lado, a falta de respostas deixou a sensação de que tudo não passou de discurso de palanque, no mais acintoso estelionato eleitoral visto na história política recente do Acre.    Tudo isso, claro, até a constrangedora derrocada eleitoral em 2018.   Depois de muito analisar e de maneira um tanto prematura foi possível elaborar pelo menos cinco perguntas que, grosso modo...

Modelo de desenvolvimento “Saída pela Floresta” foi contaminado pelo Projeto Florestania no Acre

  * Ecio Rodrigues Restaram ainda alguns poucos órfãos que insistem na defesa da comprovada tese da Saída pela Floresta enquanto modelo de desenvolvimento para gerar e suportar o PIB do Acre, em níveis de emprego e renda bem superior ao atualmente obtido pela pecuária extensiva. Não há, contudo, liderança política com coragem e discernimento suficientes para assumir o modelo preconizado pelo Projeto Florestania como alternativa à pecuária extensiva no Acre. Acontece que ao ser transformado em um Projeto de Governo, que marcou uma época de vinte anos, de 1999 e 2018, o Projeto Florestania deixou de saldo a irrecuperável contaminação eleitoral da promissora tese da Saída pela Floresta para o desenvolvimento do Acre. Sem expoentes na academia, nas ciências e nas artes, sem líderes na política, o Projeto Florestania agora impede que a imprescindível discussão sobre a existência de alternativa econômica à pecuária extensiva seja retomada nos moldes dos profundos debates ocorrid...