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Mostrando postagens de maio, 2026

Terceira pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues Desde que o segundo ciclo econômico da borracha foi dado por encerrado e as políticas de promoção da extração da Hevea , incluindo sua mais importante agência de fomento a Sudhevea e agente de crédito o Basa, foram sepultadas que os elevados recursos públicos destinados ao desenvolvimento regional no Acre migraram para subsidiar a pecuária extensiva. A partir da década de 1960, com alguns breves momentos em que a gritaria pública pelo abandono do seringal tradicional e do produtor seringueiro à própria sorte arrancou um pouco de investimento para a borracha, a pecuária extensiva recebeu tudo que precisava: muito capital, fartura de terra com floresta e alguma força de trabalho. Para colocar em prática o modelo de expansão produtiva que tornou hegemônica a pecuária extensiva, que atualmente ocupa quase 100% das terras com logística favorável na margem dos principais rios (Juruá, Purus e Acre) e rodovias (BR364 e 317) em que o desmatamento em algumas localida...

Reforma agrária acabou em 2012, podemos extinguir o Incra!

  * Ecio Rodrigues Em excelente artigo publicado no jornal Estadão, no dia 28 de abril último, Paulo Freire Mello, agrônomo com doutorado e trajetória reconhecida no estudo do setor rural nacional faz duas contundentes afirmações: a reforma agrária foi concluída em 2012 e podemos encerrar as atividades do Incra. Ambas as conclusões são verdadeiras e comprovadas em robustas estatísticas compulsadas tanto pelo autor quanto por um conjunto expressivo de especialistas, incluindo, o igualmente reconhecido, Xico Graziano no artigo “O Incra deveria ser extinto” publicado no jornal eletrônico Poder360 em 12/05/2026. Com relação a primeira conclusão de que a reforma agrária brasileira foi concluída em 2012, Paulo Freire Mello defende que nos moldes e para os objetivos definidos na legislação agrária nacional não há terra e tampouco produtores para novos assentamentos rurais. Com recordes de assentamentos obtidos durante o governo FHC, desde a década de 1990 a quantidade de produtore...

Segunda pergunta que órfãos do Projeto Florestania poderiam responder

  * Ecio Rodrigues Os grandes eventos ocorridos no Acre durante a última década do século passado, em especial no período posterior à criação das duas primeiras Reservas Extrativistas brasileiras nos vales dos rios Acre e Juruá, demonstraram a importância para o país e para o mundo do modelo de desenvolvimento, grosso modo, chamado de Saída pela Floresta . Não havia dúvida para a imensa maioria dos participantes e eram muitos, talvez milhares, que ao se apresentar como alternativa à pecuária extensiva, sempre associada aos objetivos do desmatamento, a proposta da Saída pela Floresta com seu desmatamento zero poderia atrair investimentos, estatal e particular, em montante jamais almejado pela criação de boi solto no pasto. E foi o que aconteceu! Após ser transformado em plataforma eleitoral e logo depois no Programa Florestania, todas as três grandes agências de financiamento ao desenvolvimento regional (BNDES, BID e Banco Mundial) liberaram empréstimos e doações em um volu...

Perguntas que os órfãos do Projeto Florestania deveriam responder

  * Ecio Rodrigues Em seu decisivo momento, durante as duas primeiras das cinco eleições consecutivas vencidas pelos líderes políticos do Projeto Florestania, algumas perguntas consideradas elementares para um modelo de desenvolvimento no Acre deveriam, mas não foram, respondidas. Mais grave ainda é que ao se esquivar de responder o Projeto Florestania deixou, por um lado, um vazio teórico que dificulta seu detalhamento por economistas, engenheiros e outros estudiosos que poderiam dar continuidade à importante discussão sobre estratégias de desenvolvimento no Acre. E bem mais grave, por outro lado, a falta de respostas deixou a sensação de que tudo não passou de discurso de palanque, no mais acintoso estelionato eleitoral visto na história política recente do Acre.    Tudo isso, claro, até a constrangedora derrocada eleitoral em 2018.   Depois de muito analisar e de maneira um tanto prematura foi possível elaborar pelo menos cinco perguntas que, grosso modo...