Rejeição eleitoral contamina debate sobre desenvolvimento do Acre

 * Ecio Rodrigues

De todos é bem provável que o maior equívoco cometido pelos defensores de um caminho alternativo para o modelo de desenvolvimento do Acre tenha sido sua associação com determinado partido político.

Considerando que desde o final do século passado a pecuária extensiva, ao depender do aumento anual do desmatamento, encontrava resistência insuperável para se consolidar como referencia principal da economia no Acre, alguma saída deveria ser analisada pela sociedade.

Acontece que no debate sobre alternativa ao modelo de desenvolvimento trazido pela pecuária extensiva, muitos discordavam em relação ao potencial da biodiversidade florestal para prover a riqueza necessária.

Entretanto, havia e há consenso razoável entre os estudiosos sobre modelos de desenvolvimento regional, pesquisadores de diversas áreas e nas universidades, em relação ao correto diagnóstico de que o caminho do progresso do Acre não se sustenta na pecuária extensiva.

Associar a alternativa eleitoral, determinada por um grupo de líderes políticos com propósitos diferenciados dos detentores corriqueiros de mandatos com mostravam baixa competência administrativa, com a alternativa econômica pareceu um caminho natural, mas errado.

No frigir dos ovos os novos líderes políticos esperavam e conseguiram se estabelecer por mais de vinte anos, com vitórias eleitorais reconhecidas por sua competência administrativa bem superior ao que havia antes.

Contudo e infelizmente, a capacidade administrativa se reduziu a cada novo mandato, deu lugar ao cansaço e indiferença, até chegar ao inaceitável lugar comum de deixar de pagar salário de servidor publico.

O que, por óbvio, se mostrou difícil de engolir.

Todavia, o maior prejuízo para a história do desenvolvimento do Acre estava por vir.

Com uma rejeição eleitoral aos políticos que um dia se mostraram como alternativa e que parece não ter fim, a política contaminou o debate sobre o modelo de desenvolvimento adequado à vocação natural do Acre e a alternativa à pecuária extensiva foi, igualmente, rejeitada.

Não será seguramente nessa eleição, quiçá na próxima, mas a contaminação eleitoral que associa o modelo de desenvolvimento da Saída pela Floresta a um ou outro partido político não pode continuar por não ser, de fato, verdadeira.

O rumo do desenvolvimento a partir do agronegócio da pecuária extensiva tem limite e todo profissional que abandona o Acre sabe disso.

 

*Engenheiro Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB).

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