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Paisagem dos morros no Rio de Janeiro degradados pela pecuária vai mudar

  * Ecio Rodrigues Para aqueles que possuem o privilégio de trafegar de carro pela rodovia BR 101, em especial no litoral do Rio de Janeiro e mais especial ainda na região entre Rio das Ostras até a divisa com São Paulo, a paisagem da mata atlântica é uma dádiva. Regiões de montanha que de maneira quase sempre abrupta se conectam às praias e ao mar deixam os expectadores deslumbrados com a exuberância de um ecossistema de beleza única no mundo. Até que surgem os morros sem árvores, que foram desmatados desde muito tempo, ainda nos primórdios dos plantios de cana-de-açúcar e de café, nos idos dos séculos XVII e até início do XX, respectivamente durante os ciclos econômicos de cada uma das commodities, até que a história passou e a improdutiva pecuária extensiva se tornou hegemônica. Se antes havia um proposito econômico, uma vez que cana-de-açúcar e café pautaram as exportações nacionais por um longo e lucrativo período, a ocupação pela pecuária extensiva possui retorno econ...

Finalmente, produção de madeira da Amazônia chega na Bolsa de Valores

  * Ecio Rodrigues Para quem acompanha as idas e vindas do processo de concessão florestal, destinado à privatização da produção de madeira amazônica em áreas públicas, o leilão realizado na Bolsa de Valores parece até vertigem. Mas não é, a produção de madeira nativa da Amazônia virou negócio para o andar de cima do mercado. No último dia 25 de agosto, a empresa B2 venceu o leilão para explorar duas UMF (unidades de manejo florestal) pagando um total de 14,6 milhões de Reais ao Serviço Florestal Brasileiro, órgão que gerencia o Fundo de Desenvolvimento Florestal que recepciona os recursos auferidos no Contrato de Concessão. Outra indústria, a Madeirantes, por sua vez, vai pagar 4,4 milhões de Reais para usar a tecnologia de manejo florestal explorando madeira de maneira segura para a sociedade e o meio ambiente e, o melhor, todos os anos e para sempre. Não é fácil para os brasileiros e o povo da Amazônia compreender de que maneira a derrubada de árvores, destopamento dos...

Diretor de "O Fim da rua" não fez o fundamental

  * Ecio Rodrigues Se você não gazetou as aulas de ciências, biologia, matemática e física, para ficar nas disciplinas mais empolgantes, do ensino fundamental ficará assustado com a capacidade do Diretor e roteirista do filme “O fim da rua” desconhecer princípios elementares sobre o Homo sapiens . Com produção esmerada e com atuação distraída de atores que são celebridades, daquele tipo que a indústria cinematográfica apresenta em época de férias com intuito de divertir e, claro, apostando que dará muito lucro, o filme assinado pelo reconhecido J.J. Abrams, que tem no currículo produções como a série Fronteiras, assusta pela capacidade de errar sobre quase tudo, várias vezes. Um evento inacreditável faz com que um bairro inteiro seja transportado para o tempo dos dinossauros, algo impossível para o conhecimento atual da física, astronomia e por aí afora, mas as imundícies não ficam por aí. Depois de custarem a acreditar no ocorrido, uma família com graves indícios de disfun...

STF valida Moratória da Soja

  * Ecio Rodrigues Quando um seleto grupo de entidades ambientalistas, com atuação nacional e internacional, conceberam, articularam e conseguiram um igualmente seleto grupo de produtores dispostos a firmarem o que se chamou de Moratória da Soja, muitos não acreditaram, este articulista inclusive. Felizmente, dede o início do século o acordo da Moratória da Soja, com regras mais rigorosas que as do Código Florestal sobre a ampliação de novos cultivos da oleaginosa em áreas desmatadas após 2008, está em vigor e, o mais importante, com resultados impressionantes. Alguns, sempre insatisfeitos com o aprimoramento do capitalismo, se apressaram em gritar que tendo em vista que o impressionante pacto social só valia para o cultivo de soja, o desmatamento destinado a ampliação da pecuária extensiva, que representa na verdade mais de 80% do total das novas áreas desmatadas todos os anos, continuaria a ocorrer. Tal como demonstram as estatísticas anuais sobre desmatamento na Amazonia...

Rejeição eleitoral contamina debate sobre desenvolvimento do Acre

  * Ecio Rodrigues De todos é bem provável que o maior equívoco cometido pelos defensores de um caminho alternativo para o modelo de desenvolvimento do Acre tenha sido sua associação com determinado partido político. Considerando que desde o final do século passado a pecuária extensiva, ao depender do aumento anual do desmatamento, encontrava resistência insuperável para se consolidar como referencia principal da economia no Acre, alguma saída deveria ser analisada pela sociedade. Acontece que no debate sobre alternativa ao modelo de desenvolvimento trazido pela pecuária extensiva, muitos discordavam em relação ao potencial da biodiversidade florestal para prover a riqueza necessária. Entretanto, havia e há consenso razoável entre os estudiosos sobre modelos de desenvolvimento regional, pesquisadores de diversas áreas e nas universidades, em relação ao correto diagnóstico de que o caminho do progresso do Acre não se sustenta na pecuária extensiva. Associar a alternativa e...

Então, Florestania foi só retórica mesmo?

  * Ecio Rodrigues Em caso afirmativo funcionou, posto que por todo tempo em que a retórica foi repetida à exaustão comoveu a sociedade despertando emoção e lógica, tudo bem de acordo com o manual de discurso político e o receituário que promete o paraíso com único propósito de vencer eleições. Em caso negativo deu tudo errado! Se fosse para ser de verdade, pouco se fez para alterar a realidade e os defensores do Projeto Florestania não entenderam que, antes deles, um conjunto expressivo de pesquisadores, técnicos e engenheiros haviam exposto os riscos e limites do modelo de desenvolvimento baseado na pecuária extensiva. Na constrangedora e de certa maneira merecida derrocada eleitoral ocorrida em 2018 restou claro aos poucos abnegados que ainda se mantinham fiéis aos ideais do modelo de desenvolvimento sintetizado na expressão Saída pela Floresta que as lideranças políticas, todos que por sinal receberam expressivas votações nos vinte anos anteriores, tinham, de concreto,...

Nenhum candidato ao governo do Acre defenderá o Florestania

  * Ecio Rodrigues Parece que nem existiu, mas não foi bem assim, o modelo de desenvolvimento conhecido pela simplificação Saída pela Floresta , representa uma alternativa para economia que deveria ser discutida por todos que se preocupam com o futuro do Acre. Se contrapondo à estagnação econômica trazida pelo modelo que tem na pecuária extensiva sua principal referencia para o progresso estadual, o Projeto Florestania, em 1999, ao adotar os pressupostos da Saída pela Floresta politizou e ao mesmo tempo contaminou um debate que deveria ser inevitável. Para quem não se recorda o Acre nos últimos 20 anos do século passado viveu momentos de detalhados estudos sobre as alternativas possíveis para gerar riqueza e trabalho de maneira sustentável para sua população. Foi um momento oportuno que atraiu a atenção do país, muito devido ao trabalho sindical de Chico Mendes, que demonstrou que os custos sociais e ambientais dos desmatamentos não seriam cobertos pelo PIB da pecuária ext...