Regeneração Natural Assistida reduz em mais de 70% os custos para o reflorestamento conservacionista

 * Ecio Rodrigues

Recentemente aprovada pela Comissão Nacional de Vegetação Nativa, ou Conaveg, uma coletiva instancia administrativa de decisão sobre o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, a Regeneração Natural Assistida pode ser a chave que faltava.

Acontece que os custos para reflorestar uma área em que o solo foi desgastado pelo mais de trinta anos de uso contínuo para pecuária extensiva, costuma afastar investidores devido, em especial, ao volume inicial de dinheiro requerido e o longo prazo de retorno ou recuperação do capital.

Quando o reflorestamento se enquadra no padrão conservacionista, no qual as espécies florestais que vão surgir ou serem cultivadas no processo de resgate da floresta que existia antes da criação do boi solto no pasto, o desanimo dos investidores aumenta de maneira exponencial.

Cultivar florestas, ou reflorestar, um hectare com árvores de elevado valor comercial, como o eucaliptos por exemplo, mas pode ser com mogno também, exige disposição do investidor para apostar no retorno financeiro futuro, em 5 ou até 40 anos, respectivamente.

Contudo o retorno mais tarde que cedo virá, o que é bem diferente do reflorestamento conservacionista, em que a espécies florestal, ou melhor, os produtos florestais, como a madeira por exemplo, não é o propósito do investimento que buscará receitas no incipiente mercado de carbono, por exemplo.

Não há dúvida de que os custos de um e de outro não deveriam ser semelhantes e é aí que entra a Regeneração Natural Assistida, um termo trazido da área médica para demonstrar que conduzir a regeneração natural, sem dúvida, será mais vantajoso.

Vantajoso para o solo, para a sociedade, para a biodiversidade da região e, nesse caso o mais importante, melhor para a redução de custos do empreendimento e, ao final, atração do necessário capital privado.

A mudança pode parecer simples mas a regeneração natural representa uma alteração profunda de paradigma, como gostam de falar os economistas.

No fundo, ao invés de selecionar determinada espécie florestal que possua interesse comercial reconhecido, na RNA a área a ser reflorestada, ou a ser submetida à regeneração natural, deverá ser cercada, isolada dos animais e o processo precisa ser monitorado regularmente.

Isto é, sempre haverá um técnico para acompanhar de perto o caminhar do processo de regeneração, daí vem o termo médico “assistida”, com a obrigação de retirar as espécies invasoras, selecionar e privilegiar os indivíduos das espécies florestais que faziam parte da estrutura original da floresta.

Os engenheiros florestais, profissionais que estão bem mais familiarizados com esse procedimento, afinal a RNA nada mais é que a aplicação da tecnologia de manejo florestal de florestas nativas de forma bem específica, não tem dúvida acerca do potencial da RNA.

Pesquisas atualizadas dão conta de uma redução de mais de 70% dos custos por hectare, em comparação com o reflorestamento tradicional, aquele que envolve a produção de mudas, plantio e replantio.

Levando em conta nosso compromisso no Acordo de Paris, de recuperar 12 milhões de hectares de pasto degradado, a RNA pode ser a chave que faltava.

 

*Engenheiro Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB).

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