Nenhum candidato ao governo do Acre defenderá o Florestania
* Ecio Rodrigues
Parece
que nem existiu, mas não foi bem assim, o modelo de desenvolvimento conhecido
pela simplificação Saída pela Floresta,
representa uma alternativa para economia que deveria ser discutida por todos
que se preocupam com o futuro do Acre.
Se
contrapondo à estagnação econômica trazida pelo modelo que tem na pecuária
extensiva sua principal referencia para o progresso estadual, o Projeto
Florestania, em 1999, ao adotar os pressupostos da Saída pela Floresta politizou e ao mesmo tempo contaminou um debate
que deveria ser inevitável.
Para
quem não se recorda o Acre nos últimos 20 anos do século passado viveu momentos
de detalhados estudos sobre as alternativas possíveis para gerar riqueza e
trabalho de maneira sustentável para sua população.
Foi um
momento oportuno que atraiu a atenção do país, muito devido ao trabalho
sindical de Chico Mendes, que demonstrou que os custos sociais e ambientais dos
desmatamentos não seriam cobertos pelo PIB da pecuária extensiva.
Por
sinal a inclusão do PIB, um indicador econômico, forneceu maior robustez à tese
de que o desmatamento zero proposto na Saída
pela Floresta seria, além de melhor para o social e a ecologia, superior em
termos de aumento do PIB, ou melhor, da riqueza estadual.
Passados 20 anos sem avançar com o Florestania, na constrangedora
e de certa maneira esperada derrocada eleitoral ocorrida em 2018, restou claro
aos poucos e abnegados que ainda se mantinham fiéis aos ideais do modelo da Saída pela Floresta, que as lideranças
políticas que receberam expressivas votações nos vinte anos anteriores, mostraram
determinação para ganhar cada eleição e quase nenhuma vontade para pavimentar o
desenvolvimento do Acre baseado na biodiversidade florestal e com desmatamento
zero.
E mais, infelizmente, a defesa incontestável da pecuária extensiva
se repetirá na eleição de 2026.
Os candidatos mostram pouca, ou nenhuma, convicção sobre três
diretrizes elementares e que são condicionantes para entender a realidade do
estágio atual do modelo de desenvolvimento no Acre, frente a qualquer alternativa,
o que pode determinar um futuro com sérias limitações.
Resumindo, há um percurso bem estreito para o desenvolvimento que
ajuda a entender a realidade e pode melhorar a vida de todos no Acre, ou não!
A primeira das três diretrizes, que escapou ao entendimento dos
líderes políticos atuais, tem a ver com reconhecer, aceitar e compreender que
existe uma necessidade urgente do modelo de desenvolvimento no Acre baseado na
pecuária extensiva ser substituído, ou repaginado como gostam os mais jovens.
Razões não faltam e muitos pesquisadores elaboraram uma série de
dissertações de mestrado e teses de doutorado afirmando a impossibilidade
concreta de a pecuária extensiva, prover e manter a quantidade e qualidade do
emprego e da renda requerida pela sociedade acreana.
A segunda diretriz é que o desmatamento terá que ser zerado pelos
de dentro para não ser imposto pelo de fora. Se a economia no Acre não inserir
o requisito do desmatamento zero os investidores de outras paragens vão exigir.
A terceira diretriz diz respeito ao investimento da política
pública em empreendimentos baseados na bioeconomia, ou sendo mais específico,
em produtos explorados, com tecnologia, na competitiva biodiversidade
florestal.
Diante das repetitivas propostas dos candidatos, que insistem em
uma corrupção que depende muito da polícia e pouco da política, nada mudará em
2026.
*Engenheiro
Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em
Desenvolvimento Sustentável (UnB).
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