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Vote pela Amazônia

  * Ecio Rodrigues Para que a discussão em torno do futuro da Amazônia avance é preciso levar em conta duas constatações comprovadas em teses de doutorado e pesquisas científicas consumadas no âmbito de instituições do porte da Embrapa e do Inpa, que gozam de amplo reconhecimento internacional. Em primeiro lugar, o desmatamento é de longe o maior problema social, econômico e ecológico da região, sendo que a superação desse problema depende de um esforço concentrado de políticas públicas. Em segundo lugar, a principal responsável pelo desmatamento é a pecuária extensiva praticada nos moldes atuais, ou seja, uma atividade que ostenta produtividade sofrível (2 hectares de pasto por cabeça), que só se viabiliza porque conta com fartura de terras e crédito barato assegurado pelo FNO, além de não pagar pela água que o boi bebe. Só quando essas premissas forem reconhecidas e assumidas, os políticos e os gestores por eles nomeados entenderão que para alcançar o desmatamento zero – ...

Vote pelo Acre

  * Ecio Rodrigues Nunca é demais repetir. O maior problema econômico, social e ambiental do Acre é o desmatamento. Bem mais que um contratempo ao processo de crescimento econômico baseado na pecuária, como comumente se considera, o desmatamento pode, por exemplo, comprometer o fornecimento de água nas bacias hidrográficas dos rios Juruá e Acre. As consequências da falta d’água são terríveis, como as crianças cedo aprendem na escola. Com racionamento de água a indústria não funciona, o comércio também não, e tampouco a principal responsável pelo desmatamento, a pecuária. Tal constatação é crucial para encontrar uma solução. Explicando melhor. A história da ocupação social e econômica do Acre é repleta de exemplos da estreita relação do produtor com a biodiversidade florestal. Entretanto, foi a partir da década de 1970, com a expansão da colonização por meio da pecuária extensiva que a produção oriunda da biodiversidade florestal, exceto para a madeira disponibilizada no...

Biodiversidade florestal trouxe mais riqueza do que o desmatamento

  * Ecio Rodrigues A exploração de produtos da biodiversidade florestal originou ciclos econômicos que proporcionaram uma riqueza sem precedentes à Amazônia – e, o mais importante, sem desmatamento. O primeiro ciclo foi o das drogas do sertão, designação genérica para quase uma dúzia de produtos florestais – entre os quais cacau, castanha, cravo, salsaparrilha, caucho, pimenta, guaraná – que no século XVII começaram a ser embarcados do porto de Belém, no Pará, diretamente para os países europeus. Sem pretensões de garantir exatidão histórica, pode-se dizer que a importância econômica das drogas do sertão (incluindo obviamente o cacau nativo) perdurou até pelo menos o início do século XIX e, especificamente no âmbito da Amazônia, foi sucedida (e superada) por outro ciclo, o da borracha. Substituindo a pequena extração de caucho (seiva semelhante ao látex, mas cuja sangria depende da derrubada da árvore) e fornecendo um produto imprescindível para a nascente indústria automob...

Vote pelo rio Acre

  * Ecio Rodrigues Nos últimos cinco meses, desde maio de 2022, a quantidade de queimadas no Acre superou a média mensal dos últimos 24 anos sendo que no dia 27, para ser bem exato, ocorreu o recorde para o mês de setembro. Desde 1998, quando o conceituado Inpe iniciou as medições sobre focos de calor na Amazônia, nunca em setembro se ultrapassou o recorde de 6.506 queimadas. Para os que não entendem, queimadas são realizadas pelo agronegócio da criação extensiva de boi.   Estudos recentes demonstram que a incidência de focos de calor na mata ciliar é maior que aquela observada fora da faixa de floresta fixada pelo Código Florestal para proteção dos rios na Amazônia. Por outro lado, nos últimos 40 anos o desmatamento em toda bacia hidrográfica do rio Acre causou uma taxa de erosão que ultrapassou o ponto da capacidade natural de regeneração. Em síntese pode-se afirmar, com muita segurança científica, que somente com uma ação decisiva do governo que assumirá em jane...

Futuro do Acre em duas eleições decisivas: 1998 e 2018

  * Ecio Rodrigues No Acre as campanhas para governador costumam ser avaliadas segundo 3 variáveis: quantidade e peso dos partidos participantes da coligação; apoio da máquina governamental; e, obviamente, a força demonstrada pelo próprio candidato. As duas primeiras dizem respeito à disponibilidade de recursos financeiros e humanos. Por sua vez, a terceira se refere ao carisma e ao prestígio do candidato, algo que, exceto nos casos de reeleição, só é possível aferir depois de iniciada a campanha. Em raras ocasiões o plano de governo apresentado pelos postulantes é levado em consideração. Não dá para afirmar de maneira categórica, mas isso provavelmente aconteceu em 1998 e 2018. Em 1998, um candidato de oposição cujo carisma já havia sido comprovado nas urnas conseguiu a façanha de formar uma ampla coligação e vencer as eleições. Ainda que, mais uma vez, não existam estudos a respeito, a defesa de uma saída econômica (para o estado) por meio da exploração sustentável da b...

Política e queimada zero no Acre

  * Ecio Rodrigues Muitos ainda se perguntam, mas não há dúvida as duas maiores tragédias ambientais da Amazônia são o desmatamento e a queimada. No Acre, por exemplo, além dos entraves ao crescimento econômico desmatar e queimar comprometerá, no curto prazo, o fornecimento de água para os mais de 80% da população e as empresas localizadas em área urbana, sobretudo na capital Rio Branco. Nunca é demais repetir, a escassez ou fartura de água significa fracasso ou sucesso, nessa ordem, de empreendimentos instalados no setor primário, secundário e terciário da economia. Reconhecer que o licenciamento ambiental que libera o produtor rural para continuar queimando todos os anos coloca um limite ao crescimento econômico do Acre é crucial para solucionar o problema. A pergunta repetida às tantas pode ser resumida assim: É possível produzir no Acre sem queimar? E a resposta, igualmente repetida pelos pesquisadores da conceituada Embrapa: Claro que SIM! Alguns, contudo, vão aleg...

Queimadas e eleições

  * Ecio Rodrigues Todo produtor rural no Acre sabe que o pasto deve ser queimado em setembro, de preferência em torno do – ou no próprio – dia 5, o “Dia da Amazônia”. É que depois da primeira semana de setembro o risco de chuva aumenta, e basta chuviscar para comprometer o resultado esperado – isto é, transformar o capim ou os restos do desmatamento no adubo das cinzas. Embora recebida todo ano com surpresa por uma imprensa de pouca memória, a temporada das queimadas no Acre acontece desde sempre. E a despeito de as medições do Inpe terem se iniciado em 1988 – há 34 anos, portanto –, nunca nenhuma medida de controle efetivo e decisivo chegou a ser tomada por nenhum governo estadual. Nos últimos 5 meses os pecuaristas no Acre queimaram mais que a média dos últimos 34 anos, e neste mês a média foi superada mais cedo, no dia 10. Vivemos assim mais um setembro cinza. Novamente a fumaça tomou o céu do Acre, abafando ainda mais o clima, elevando o calor ao limite do insuportáv...