Postagens

Hidrelétrica é energia limpa em todo o mundo - e na Amazônia também!

  * Ecio Rodrigues Mesmo depois do compromisso assumido pelo Brasil perante o Acordo de Paris – no sentido de ampliar a participação da força das águas na matriz elétrica nacional –, o emprego dessa fonte de energia renovável ainda é alvo de acentuado preconceito por parte do movimento ambientalista. Todas as vezes que é dado o pontapé inicial para a instalação de uma das muitas barragens previstas no planejamento energético do país – em especial quando os rios amazônicos são afetados –, começa a gritaria dos ambientalistas e os artifícios (inclusive judiciais) destinados a entravar o projeto. Embora se trate de um grupo restrito de pessoas (principalmente se contraposto à totalidade da população brasileira), os ativistas fazem barulho, obtêm espaço na mídia e não raro conseguem, por seus subterfúgios, atrasar a obra, aumentando significativamente os respectivos custos. De outra banda, e a despeito de se escorar em razões ideológicas e pré-concebidas, que prescindem de base...

Madeira é energia limpa em todo o mundo – e na Amazônia também!

  * Ecio Rodrigues Apresentando baixo potencial para geração de energia fotovoltaica e menor ainda para energia eólica, a porção do território nacional coberta pela maior floresta tropical do mundo possui água e madeira em abundância. Contudo, se por um lado não existem dúvidas científicas em relação à viabilidade econômica e adequação ecológica tanto do aproveitamento da força das águas quanto da biomassa florestal para a produção de energia elétrica, por outro, nota-se, arraigado no movimento ambientalista, um profundo preconceito contra o uso dessas fontes renováveis. Como todo preconceito, a rejeição dos ambientalistas à água e à madeira não pode ser racionalmente explicada – a despeito de contar com o apoio de alguns acadêmicos, que, por sua vez, costumam pautar a imprensa. E, como em geral acontece, o preconceito obedece a certa graduação. De sorte que, sendo o repúdio às caldeiras maior ainda do que às hidrelétricas, para os ativistas ambientais o emprego da madeira ...

Água e madeira no futuro da energia elétrica na Amazônia

  * Ecio Rodrigues Não se deve confundir matriz energética com matriz elétrica . A primeira se refere à oferta total de energia – da lenha queimada em fornos ao combustível consumido para o transporte de cargas e pessoas. Quanto à segunda, diz respeito especificamente a geração de energia elétrica. Em ambos os casos, contudo, o Brasil está muito bem na foto. Graças às águas abundantes nos rios brasileiros, em especial nos leitos amazônicos, quase 50% da matriz energética do país é gerada por fontes renováveis. Trata-se de uma marca alcançada por poucos – um grupo muito seleto de nações que ostenta os menores níveis de dependência em relação ao petróleo, e que pode se vangloriar por isso. Enquanto, em 2021, a participação das fontes renováveis na produção mundial de energia foi de apenas 13,9%, no Brasil, diante da oferta proveniente das hidrelétricas e da importante contribuição trazida pelo etanol e pela biomassa florestal, essa participação chegou a 48,6%. Esses dado...

Um bairro todo construído em madeira na Amazônia – opa!, na Holanda

  * Ecio Rodrigues Não há argumento econômico que justifique o abandono da madeira como matéria-prima para a construção de moradias nas cidades da Amazônia; tampouco há argumento ecológico e, muito menos, social. Sendo assim, em bom português, por que raios bairros (urbanizados, diga-se) erigidos em madeira não são realidade nas capitais da região? A notícia que inspirou este artigo veio da Prefeitura de Amsterdã, na Holanda, que aprovou projeto direcionado a assentar, naquela cidade, um bairro inteiramente constituído por edificações em madeira. Por inteiramente, entenda-se: tudo mesmo! O objetivo é construir pelo menos 10 blocos de apartamentos, destinados a abrigar mais de 2.000 pessoas, além de equipamentos como escola e posto de saúde, para atendimento desse contingente populacional – e tudo em madeira. O que está por trás dessa auspiciosa decisão é a urgência imposta aos países signatários do Acordo de Paris para cumprimento das metas ali pactuadas. Por sinal, desde...

Fiscalização é solução paliativa para desmatamento na Amazônia

  * Ecio Rodrigues De uma análise ligeira constatam-se 3 pontos de inflexão na curva do desmatamento da Amazônia. Os dois primeiros se referem aos níveis recordes de desmatamento alcançados em 1995 e 2004. O terceiro, por outro lado, marca o ano de 2012, o único (até hoje) em que a destruição florestal atingiu uma área inferior a 5.000 km 2 . As estatísticas demonstram com clareza que a fiscalização ajuda, todavia – e a despeito de impingir altíssimos custos ao orçamento público, tanto na esfera federal quanto no âmbito dos 9 estados amazônicos   – está longe de ser a saída para zerar o desmatamento na região. O caso do recorde de 1995 é exemplar para entender o efeito da fiscalização. Em decorrência da intensa ação fiscalizatória levada a cabo no período pós-recorde, a taxa de desmatamento sofreu queda abrupta em 1996; contudo, já a partir de 1998 se observa a retomada da tendência de alta.   Ou seja, ainda que as ações de controle produzam efeito imediato, lev...

Incêndios, queimadas e o seguro de florestas na Amazônia

  * Ecio Rodrigues De forma geral, todos os anos, no período de seca, quando surge o risco de ocorrência de incêndios florestais na Amazônia, o clamor e a gritaria costumam ser intensos. Contudo, as apreensões não se convertem em ações efetivas. Aqui, importa diferenciar os incêndios florestais das queimadas, eis que muitas vezes os jornalistas (e mesmo uma parcela dos ativistas ambientais) não fazem essa distinção e, equivocadamente, abordam os dois perniciosos eventos como se similares fossem – ou seja, como se correspondessem a duas designações diferentes para a mesma mazela. Ocorre que, muito embora o fogo ateado para a limpeza de pastos ou roçados possa sair do controle e, uma vez favorecido por fatores climáticos, possa alcançar a floresta, os dois conceitos não se confundem: enquanto a queimada configura prática agrícola de periodicidade anual amplamente empregada no meio rural, principalmente para a renovação de pastos, o incêndio florestal atinge as árvores em seu am...

Política Florestal do Acre, 20 anos depois

  * Ecio Rodrigues Em 2001, numa iniciativa que merece elogios, o Acre se tornou o primeiro estado amazônico a instituir sua própria política florestal. Entre outros, dois propósitos primordiais orientavam a política florestal acreana, introduzida pela Lei Estadual 1.426/2001. Primeiro, a contenção da tendência de alta para posterior redução dos índices de destruição florestal; segundo, mas não menos importante, a ampliação da participação da biodiversidade florestal na geração de riqueza e, por conseguinte, na composição do PIB estadual. Depois de 20 anos de execução, e tendo em conta esses ambiciosos objetivos, surge de pronto a pergunta: foram alcançados? Uma equipe de pesquisadores conduzida pelo professor Luiz Augusto Mesquita de Azevedo, da Ufac (Universidade Federal do Acre), e que contou com a participação ativa da Unesp de Ilha Solteira, na pessoa do professor Jairo Salim Pinheiro de Lima, nos últimos 2 anos, empreendeu uma análise minuciosa –   mais do que ne...