Pré-COP30 na Alemanha teve resultado satisfatório

* Ecio Rodrigues

Até chegar em novembro quando a COP30 vai acontecer em Belém, capital do Pará, uma série de reuniões preparatórias negociam e aprovam os documentos que vão servir de base para as deliberações definitivas.

Encerrada em junho a conferência preparatória realizada na Alemanha rendeu mais que o esperado e sinaliza para o sucesso da COP30.

Sucessos e fracassos das COP’s são medidos pelo grau de avanço que os diplomatas e os mandatários dos países conseguem na aprovação dos documentos que vão nortear as políticas de cada um dos países para neutralizar os efeitos das alterações do clima no mundo.

Dividido em três partes, o documento final a ser referendado na COP30, tratará dos temas mais complexos e de difícil acordo, que vem sendo discutidos nas 29 conferências anteriores, desde o marco na política internacional de meio ambiente  representado pela Rio92.

O primeiro e talvez o que possui debates mais acirrados desde o início das negociações diz respeito à responsabilidade de cada país em relação à quantidade de carbono colocado na atmosfera e a respectiva reparação para outros países.

Denominado de Transição justa (JTWP da sigla em inglês), considera que os países com industrialização atrasada devem ser compensados pelas restrições que deverão adotar ao seu necessário crescimento industrial, impostas pela crise ecológica.

Considerando que haverá redução grave no processo de ampliação da indústria, devido às exigências atuais de retenção de carbono, os países com indústria consolidada e que emitem carbono desde o início do século passado, devem apoiar aqueles que se industrializam hoje.

O segundo tema remete aos compromissos assumidos quando da assinatura do Acordo de Paris, em 2015.

Cada país deverá mostrar aos demais os resultados que obteve, até 2025, para conseguir alcançar as metas que o próprio país assumiu para reduzir suas emissões de carbono até 2030.

No caso brasileiro e na condição especial de ser anfitrião da COP30, a cobrança mundial será para que as autoridades comprovem que a destruição florestal da Amazônia está controlada e, o melhor, com tendência de queda até o desmatamento zero a ser alcançado em 2030.

Finalmente, o terceiro tema tratou das Metas Globais de Adaptação (GGA na sigla em inglês) de maneira a reforçar ou estabelecer, por cada país, metas mais ambiciosas de redução de emissões de carbono que aquelas acordadas em 2015.

No pano de fundo, de maneira direta ou indireta, o financiamento dos projetos que vai permitir aos países superarem a crise das mudanças climáticas apareceu nos três documentos em gestação.

Diante do resultado insatisfatório da COP29, que obteve o comprometimento dos países industrializados no tímido aporte anual de 300 bilhões de dólares até 2035 para um Fundo Climático de reparação, a imensa maioria dos países espera por uma contribuição obrigatória que se aproxime dos 1,3 trilhões de dólares calculados pelos cientistas.

Resultado alvissareiro na fase preparatória sinaliza para o sucesso da COP30 e a bola está com a diplomacia brasileira, temos que vencer!

 

*Engenheiro Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB).

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