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Romantismo não salvará rio Acre

* Ecio Rodrigues Quando a vazão do rio Acre se reduz a cifras alarmantes, com medições que chegam a 1,28 metro, não é preciso muito esforço mental para concluir que abraçar o rio, cantar para o rio e coisas desse tipo não ajudam na discussão para encontrar soluções. Alarmar, por outro lado, a população, diante da ameaça de racionamento no abastecimento d’água, insuflando um suposto senso de responsabilidade em relação à necessidade de economizar água, como se isso representasse até mesmo compromisso cívico ou patriótico, não ajuda na discussão para encontrar soluções. Carimbar com a denominação errada de “educação ambiental” a participação de crianças em atividades como recolher lixo e plantar mudinhas no barranco, motivadas por professores e patrocinadas pelo poder público com o objetivo de ocupar os noticiários, não ajuda na discussão para encontrar soluções.     Sob um extenso rol de condutas um tanto ingênuas, um tanto absurdas e um tanto enganosas, as exal...

Biodiversidade e 10 anos de Concessão Florestal na Amazônia

*Ecio Rodrigues A ideia de que existe uma riqueza excepcional na floresta amazônica e que essa riqueza é motivo de cobiça internacional mexe com o imaginário da sociedade, sobretudo dos que vivem no Sudeste do país. Essa perspectiva do Eldorado, herdada dos primeiros exploradores espanhóis e portugueses a pisar por aqui, reproduz-se com facilidade na sociedade, ainda que não passe de uma grande ilusão. Em nenhum momento da história econômica da Amazônia, mesmo durante o breve e pujante ciclo da borracha (que teve início no final século XIX e foi até 1911), esse ideário de riqueza se concretizou. Como afirmam os cientistas, o que nunca aconteceu não pode ser verdade, é fruto de fértil imaginação. No entanto, o fato de essa riqueza não ter sido descoberta até agora não incomoda muito; quando se supõe que isso pode não ocorrer nunca, a coisa muda de figura. Acontece que ao mesmo tempo em que se acredita que a biodiversidade existente nas florestas da Amazônia é objeto de uma sup...

Passados 10 anos, Concessão Florestal não deslancha na Amazônia

* Ecio Rodrigues Recebida sob muita expectativa, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, aprovada em 2006, veio acompanhada de grande polêmica em relação à exploração do tão propalado potencial da biodiversidade no ecossistema florestal da Amazônia. Passados 10 anos, todavia, a concessão de áreas públicas de florestas para exploração pela iniciativa privada não deslancha. Há quem alegue excesso de burocracia, há quem aponte insegurança jurídica (em função dos contratos de longo prazo), mas o fato é que se observa certa má vontade na estrutura estatal brasileira para lidar com as empresas. Só para lembrar: a L ei 11.284/2006 faculta que, mediante a celebração do instrumento de Contrato de Concessão Florestal, o governo federal (estados e municípios seguem o mesmo princípio) delegue a um empreendimento privado (uma indústria madeireira, digamos) o direito de explorar uma determinada área de floresta pública. Em geral, a floresta a ser objeto de concessão se encontra alijada da eco...

Ainda sobre o recorde de queimadas estabelecido no Acre em 2015

* Ecio Rodrigues Nos últimos cinco anos, a quantidade de queimadas no Acre aumentou de maneira ininterrupta até atingir seu ápice em 2015, quando foram detectados 5.512 focos de calor em todo o território estadual. Reforçando o adágio popular segundo o qual “nada é tão ruim que não possa piorar”, o comportamento das estatísticas sugere que o aumento das queimadas deve continuar. Embora ainda seja cedo para tirar conclusões, tudo indica que 2016 reservará um novo e igualmente vergonhoso recorde de queimadas para o Acre. Os dados já apontados pelas imagens de satélite dão conta que, em maio último, aconteceram 16 queimadas contra 2 observadas no mesmo período em 2015. Um aumento, no mínimo, muito perigoso. Mais do que urgente, é emergencial a reversão desse processo de ampliação – que não deve ser tratado com indiferença pelos gestores públicos. Entretanto, nenhuma medida corretiva poderá ser adotada sem que se compreenda a nova dinâmica assumida pelas queimadas. A experiênc...

Peruanos rejeitam populismo de esquerda e de direita

* Ecio Rodrigues Em 05 de junho último, numa eleição inédita (por conta do acirramento da disputa tanto no primeiro quanto no segundo turno), 50,12% dos eleitores peruanos elegeram para presidente o economista Pedro Pablo Kuczynski, apelidado PPK – certamente não por coincidência a mesma sigla do partido pelo qual concorreu, o Partido Peruano por el Kambio. Em números absolutos, PPK conseguiu 41 mil votos a mais que sua oponente, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e considerada herdeira do “fujimorismo” –, que obteve 49,88% dos votos. Embora apertada, a vitória reforça a tese de que existe, na América do Sul, uma tendência à retomada dos ideais do liberalismo econômico. Essa tendência, iniciada com vitória de Macri na Argentina, foi mantida com a derrocada de Maduro nas eleições legislativas da Venezuela, e se intensificou depois que os bolivianos negaram a Evo Morales a chance de concorrer a um novo mandato em 2020. Claro que no âmbito de tal tendência ...

PEC que derruba licenciamento ambiental para obras é debatida no Acre

Em tramitação no Congresso Nacional, a Proposta de Emenda à Constituição 65/2012, conhecida popularmente como PEC da Devastação, visa derrubar a obrigatoriedade de apresentação do licenciamento ambiental para obras públicas. De acordo com o texto, se o empreendedor apresentar um simples Estudo de Impacto Ambiental (EIA), nenhuma obra poderá mais ser suspensa ou cancelada. Com o propósito de ampliar o debate sobre o assunto, os Ministérios Públicos Federal e Estadual (MPF/AC e MPAC) realizaram na manhã desta sexta-feira, 10, uma audiência pública, que contou com a participação de pesquisadores, sociedade civil e gestores da Universidade Federal do Acre (Ufac), Secretaria de Meio Ambiente (Sama), Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entre outros. Também participaram do debate público os senadores acreanos Jorge Viana e Sérgio Petecão,...

Entidades são eleitas para o Fundo Nacional do Meio Ambiente

* Ecio Rodrigues Considerado um dos principais instrumentos para o financiamento estatal e a fundo perdido de ações relacionadas à sustentabilidade ecológica do país, o Fundo Nacional do Meio Ambiente - FNMA, desde 2003 tem sido relegado a um papel praticamente insignificante na estrutura do Ministério do Meio Ambiente. Para explicar como o FNMA chegou a essa condição de irrelevância, duas razões podem ser apontadas.  A primeira delas é de cunho orçamentário, e diz respeito ao fato de que, em certo momento, os gestores ambientais se negaram a usar o dinheiro oriundo da cooperação internacional para financiar as ações na área de meio ambiente. Ocorre que, entre 2003 e 2005, vingou no MMA o entendimento de que a política ambiental deveria ser executada com os recursos do povo brasileiro, previstos no orçamento federal, e não com os recursos oferecidos, por exemplo, pelos países que se preocupam com a Amazônia. Nessa época, os recursos destinados pela cooperação internaci...