COP30 deve priorizar desmatamento na Amazônia e não petróleo
* Ecio Rodrigues
Não faltaram críticas à COP29 de 2024, realizada em Baku, no Azerbaijão,
e para a COP28 de 2023, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, por
priorizarem a discussão sobre a continuidade do uso do petróleo no planeta.
Ativistas alegavam que os países associados à Organização dos
Países Produtores e Exportadores de Petróleo, a poderosa OPEP, jamais deixariam
que fossem aprovadas deliberações que reduzissem o uso do mais importante combustível
fóssil para a humanidade.
Estavam em grande medida errados, as duas COP’s anteriores
apresentaram avanços importantíssimos sendo que pela primeira vez se colocou o
guiso no pescoço do gato, como no adágio popular.
A despeito de contrários ou não, as deliberações finais deixaram
clara a determinação dos países em priorizar fontes consideradas limpas, em
especial para gerar energia elétrica por meio das águas, do sol, do vento e da
queima de biomassa e de lixo em caldeiras.
Por óbvio exageraram, mas o importante agora é que a COP30 precisa
ser elevada pelos jornalistas e o público brasileiro em geral ao topo de uma
oportunidade única para o país se dedicar a compreender e encontrar soluções
para a maior floresta tropical do mundo: a Amazônia.
Para tanto, em um primeiro momento, seria oportuno construir sete consensos
sobre desmatamento que, uma fartura e variedade impressionante de estudos e
estatísticas, mostram ser primordiais:
1 - O desmatamento, legalizado e ilegal, é o maior problema
econômico, social e ecológico da Amazônia.
2 - O desmatamento na Amazônia também é o principal obstáculo para
o Brasil honrar os compromissos assumidos na assinatura do Acordo de Paris, em
2015.
3 - O desmatamento realizado dentro da legislação precisa ser
zerado da mesma maneira que o desmatamento ilegal.
4 - O desmatamento é causado, em mais de 90% das vezes, pela
criação de boi solto no pasto, sobretudo na mata-ciliar de rios e margem de
rodovias.
5 - O desmatamento disponibiliza para a pecuária extensiva a área
de floresta anual necessária para sua expansão e consolidação.
6 - O desmatamento tem os custos cobertos pelo crédito rural
oferecido pelo Basa por meio do FNO e Pronaf.
7 - O desmatamento pode ser zerado se o crédito rural para
ampliação ou manutenção da pecuária extensiva na Amazônia for, igualmente,
zerado.
Não conseguiremos um complexo acordo social sobre os sete
consensos acima, até hoje por sinal considerado impossível, se distraindo com
uma pauta em resposta à gritaria sobre a exploração de petróleo na margem
equatorial.
Por sinal, com os poços localizados há mais de 500 quilômetros e
bem longe da foz do Rio Amazonas a decisão pela exploração de petróleo ali foi
tomada bem antes, quando os ingleses fizeram as primeiras perfurações em uma
área idêntica, com a mesma característica geológica no mar das Guianas.
Demonstrando determinação pelo desmatamento zero, todo país
associado à ONU poderá contribuir no financiamento da fiscalização para zerar o
desmatamento ilegal e na oferta de alternativas produtivas baseadas na saída pela floresta para zerar o
desmatamento legalizado para a pecuária extensiva.
Pessoal, não se distraiam com licenciamento ambiental, petróleo,
lixo, hotel, transporte, homofobia, racismo..., o foco é o desmatamento zero!
*Engenheiro
Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em
Desenvolvimento Sustentável (UnB).
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