Diretor de "O Fim da rua" não fez o fundamental
* Ecio Rodrigues
Se você não gazetou as aulas de
ciências, biologia, matemática e física, para ficar nas disciplinas mais
empolgantes, do ensino fundamental ficará assustado com a capacidade do Diretor
e roteirista do filme “O fim da rua” desconhecer princípios elementares sobre o
Homo sapiens.
Com produção esmerada e com
atuação distraída de atores que são celebridades, daquele tipo que a indústria
cinematográfica apresenta em época de férias com intuito de divertir e, claro,
apostando que dará muito lucro, o filme assinado pelo reconhecido J.J. Abrams,
que tem no currículo produções como a série Fronteiras, assusta pela capacidade
de errar sobre quase tudo, várias vezes.
Um evento inacreditável faz com
que um bairro inteiro seja transportado para o tempo dos dinossauros, algo
impossível para o conhecimento atual da física, astronomia e por aí afora, mas
as imundícies não ficam por aí.
Depois de custarem a acreditar no
ocorrido, uma família com graves indícios de disfuncionalidades, em que os
filhos não gostam dos pais e ao mesmo tempo não querem ver separados, eles saem
das casas em busca de uma rota de escape e vão de carro passando pelos animais
pré-históricos e, a cada bicho, se perguntam: como assim?
No caminho encontram nada mais
nada menos que um acasalamento de animais pré-históricos que não estão somente
fazendo o que os bichos fazem, trepam rápido, com dor, depositam a semente,
procriam e vazam.
Nada disso, os bichos estão
fazendo amor, com muito carinho e não garantindo a continuidade da espécie.
De qualquer ponto de vista, em
todos os níveis de análise, até os mais elementares, a conclusão só pode ser
uma, o Diretor de "Fim da rua" não fez o ensino fundamental.
Chato de assistir o roteiro leva
o espectador a uma sequencia de situações, denominadas de politicamente
correto, em que a filha lésbica encontra e salva outra adolescente, também
lésbica claro, enquanto o filho, um homenzinho branco e inexpressivo, fica
sozinho.
Há de se esperar que caso a
humanidade, um dia seja dizimada, como parece ser o caso, e ao estar reduzida a
cinco pessoas, quatro da mesma família e uma vizinha mulher, o instinto de
sobrevivência falaria mais alto e levaria os dois, único possível casal em toda
humanidade, a tentarem, ao menos tentarem, garantir a continuidade da espécie
humana.
Nada disso, extinto estava e
extinto ficará, pois a humanidade, representada pela espécie Homo sapiens, que graças aos desígnios
divinos se encontra no pico da cadeia alimentar, merece, segundo a estupidez
vigente, ser dizimada e não voltar jamais.
Se estiver cansado espere, a
estupidez não fica por aí.
Em uma cena que beira ao
constrangimento o nefasto homem branco, representante legítimo do patriarcado,
seja lá que outra estupidez é isso, encara uma briga com um dinossauro Rex, que
tentava engolir a mulher, sem conseguir posto que ela sabia se defender muito
bem igual a toda mulher que enfrenta de maneira heroica e no braço um Rex todo
dia, enquanto o homem, com perdão do spoiler, morre.
Contudo, não sem antes conseguir
acertar o Rex com uma marreta, conhecida por sexta-feira e que somente os
pedreiros que conhecem bem sabem como é difícil empunhar essa ferramenta.
Daí em diante é pura insensatez,
o Rex se finge de morto para ludibriar o homem branco do patriarcado, que está
sempre bem leso e meio perdido em todas as cenas, que será enfim engolido pelo
Rex sem causar consternação a nenhum espectador.
Uma cena sem graça, metida a
besta e que, ao final, é besta mesmo como tudo no filme. Não vá, com um pouco
do fundamental melhor ficar em casa.
*Engenheiro florestal (UFRuRJ),
mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável
(UnB).
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