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Mostrando postagens de novembro, 2025

COP30 na Amazônia precisa ouvir os clássicos do desenvolvimento regional

  * Ecio Rodrigues Importantes autores discutiram o processo de ocupação produtiva do país fornecendo especial destaque à dificuldade do colonizador português para conseguir superar os desafios impostos pelo ecossistema florestal da Amazônia. Dentre aqueles que mais avançaram nesse debate, Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda conseguiram esmiuçar de maneira excepcional o eterno dilema na definição de um modelo apropriado de ocupação do meio rural amazônico. Com sensível capacidade de observação delimitaram, com inegável precisão, a impraticável aplicação conjunta da estratégia de desenvolvimento baseada na pecuária extensiva e na exploração sustentável da biodiversidade florestal. Embora hoje pareça óbvio que na mesma área de terra de onde se extrai o látex da seringueira não é possível cultivar o capim, posto que o plantio dependa do solo desnudo e a indispensável retirada das árvores que fornecem a borracha no seringal nativo, naquela época distinguir entre um e ...

COP30 e a estratégia de desenvolvimento para Amazônia

  * Ecio Rodrigues Embora o foco dos debates na COP30, a conferência da ONU que está acontecendo em Belém, capital do Pará, deve permanecer no alcance da meta inescapável do desmatamento zero da Amazônia, o pano de fundo do debate será as estratégias de desenvolvimento até então adotadas na região. Após a riqueza, jamais repetida diga-se, obtida até 1911 com a extração de látex e exportação de borracha para abastecer a indústria automobilística internacional, a região foi, em especial após a segunda guerra mundial, submetida a um conjunto de experimentos voltados para reativação de sua estagnada economia. Enquanto um processo de industrialização forçada e que, por sinal, tem data para terminar moldava o meio urbano com a Zona Franca de Manaus, projeto que a despeito das críticas foi bem sucedido ao proporcionar a estruturação de uma metrópole moderna com uma população de mais de dois milhões de habitantes, no meio rural a pecuária extensiva se consolidou. Outras capitais e ...

COP30 deve priorizar desmatamento na Amazônia e não petróleo

  * Ecio Rodrigues Não faltaram críticas à COP29 de 2024, realizada em Baku, no Azerbaijão, e para a COP28 de 2023, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, por priorizarem a discussão sobre a continuidade do uso do petróleo no planeta. Ativistas alegavam que os países associados à Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, a poderosa OPEP, jamais deixariam que fossem aprovadas deliberações que reduzissem o uso do mais importante combustível fóssil para a humanidade. Estavam em grande medida errados, as duas COP’s anteriores apresentaram avanços importantíssimos sendo que pela primeira vez se colocou o guiso no pescoço do gato, como no adágio popular. A despeito de contrários ou não, as deliberações finais deixaram clara a determinação dos países em priorizar fontes consideradas limpas, em especial para gerar energia elétrica por meio das águas, do sol, do vento e da queima de biomassa e de lixo em caldeiras. Por óbvio exageraram, mas o importante agora...