COP30 discutirá zerar financiamento à pecuária de baixa produtividade
* Ecio Rodrigues
Nas inteligentes palavras do economista Denis Minev, enviado
especial para o setor privado da Amazônia na COP30, a região esbanja em
empreendedorismo que não consegue avançar como deveria, pois os incentivos são
direcionados para atividades de baixa produtividade, como a pecuária extensiva,
por exemplo.
Reforçando a análise realizada pelo excelente estudo publicado
pelo Banco Mundial em 2023, com o instigante título “Equilíbrio Delicado para a
Amazônia Legal Brasileira: Um Memorando Econômico”, sob a responsabilidade
editorial do economista sênior Marek Hanusch, o representante dos empresários
amazônicos também defende deslocar os incentivos investidos na pecuária
extensiva na Amazônia (para saber mais acesse https://www.andiroba.org.br/artigos/?post_id=5633&artigos_ano=2023)
Além da motivação econômica, a orientação dos estudiosos acerta na
necessária otimização no uso de recursos escassos, nesse caso o dinheiro do
investimento ou incentivo público, chegando a rebatimentos que poucos se dão
conta.
Em primeiro lugar o alvo da otimização econômica é acertado devido
à outro fator de produção, por hora abundante na Amazônia, a terra que em 99%
das vezes se encontra coberta com floresta.
Dado que a característica primordial de recursos abundantes,
repita-se a terra coberta com floresta na Amazônia, é o preço baixo, quanto
mais distante das vias de escoamento, rodovias e rios, a terra se encontrar mais
barata será para o investimento do capital.
Isso explica aqueles clarões que se observa nas extensões verdes
nos mapas em que o capim, verde claro, ocupa uma extensa área. Na verdade, são
duas as razões para a pecuária extensiva chegar até ali, naquele lugar inóspito
e com acesso, no mínimo, complicado.
Terra barata e crédito público, ou capital, igualmente barato em
relação ao que é ofertado no mercado.
Desde muito tempo a atividade de baixa produtividade, em que um
animal precisa de quase dois hectares de florestas desmatadas para pastar o
capim cultivado, se expande dependendo desses dois fatores.
Enquanto de um lado a terra com floresta, a despeito de ainda
muito barata em relação ao centro-oeste e até ao nordeste do pais apresenta
elevação constante em decorrência da atratividade de mercado, de outro lado, o
capital continua ofertado sob os auspícios do Fundo Constitucional do Norte, do
Basa, do Pronaf e assim por diante.
Um rol de incentivos estatais que promovem uma atividade produtiva
que depende do desmatamento, oferta quantidade reduzida de emprego e que não
compete com nenhuma outra atividade rural.
O mesmo desmatamento combatido com um elevado orçamento público que
vem do IBAMA, do governo estadual e de várias secretarias municipais é, ao
mesmo tempo, incentivado pelo crédito público à pecuária de baixa
produtividade.
Inexplicável esse tipo de operação que resiste ao tempo, que
ocorre desde os primórdios da ocupação produtiva da Amazônia, inclusive durante
os alvissareiros ciclos econômicos da borracha, um produto florestal que
segurou por décadas a economia da região e nunca recebeu incentivo em igual
proporção.
Ambos os economistas dos estudos citados no início estão
corretíssimos em defender o incentivo a atividades que consigam produzir mais
riqueza por hectare que a pecuária de baixa produtividade.
Por óbvio, uma vez que 90% do desmatamento anual vem da criação do
boi solto no pasto, a COP30 poderá contribuir para o fim do incentivo público.
*Engenheiro Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB).
Comentários
Postar um comentário