Banco Mundial, crise fiscal e desmatamento zero na Amazônia
* Ecio Rodrigues
Com sugestivo título Dois
por Um: Políticas para Atingir Sustentabilidade Fiscal e Ambiental, estudo
do Banco Mundial publicado no final de junho último, propõe um conjunto de medidas
de política fiscal e ambiental, necessárias para conter as duas crises.
Deixando, para outro artigo, a crise fiscal que parece inevitável,
a despeito de sempre negada pelo mesmo governo federal, mesmos políticos e com
as mesmas declarações realizadas em 2016 (quando o país enfrentou a pior crise
econômica dos últimos 100 anos), o estudo publicado pelos especialistas do
Banco Mundial lista os pontos para superar os impactos das mudanças climáticas.
Um rol de quatro medidas de política pública é elencado como antídoto
para, de um lado, estancar o processo de ampliação da emissão de carbono e, de
outro lado, atender aos compromissos firmados pelos brasileiros quando da
assinatura do Acordo de Paris, em 2015.
A primeira medida, que por sinal vem sendo discutida pelo Congresso
Nacional, diz respeito à execução do Sistema de Comércio de Emissões, de modo a
estipular em cada setor econômico a quantidade possível ou desejável de carbono
que poderá ser emitida ou colocada na atmosfera.
Sempre
que alguma atividade econômica, daquelas que possui as emissões de carbono documentadas e aferidas com rigor, ultrapassar o índice de
cobertura deverá recorrer ao comércio de carbono entre os setores.
Esse tipo de mecanismo de compensação foi testado em alguns países
e, sem incluir o agronegócio no caso brasileiro, pode enquadrar setores fortes
na composição do PIB nacional em metas aferíveis de emissões de carbono.
A segunda medida, bem menos complexa e de aplicação no curtíssimo
prazo, remete à ampliação do investimento público na estrutura física de
geração e transmissão de energia elétrica e também de transporte público, sem
uso de petróleo e outros combustíveis fósseis.
Sendo o Brasil uma referência mundial devido à elevada
participação das hidrelétricas, usinas solares, de biomassa e eólica na matriz
de eletricidade, o investimento público poderia ser direcionado com precisão e
foco, com resultados quase que imediatos.
Não à toa, a terceira medida orienta a introdução de incentivos ou
redução de riscos ao investimento privado para gerar eletricidade renovável e
energia para transporte com biocombustíveis.
Os especialistas consideram que o ambiente de negócios para
investimento em energia renovável ainda possui riscos desnecessários, devido sobretudo
a regulamentação excessiva ou ausência de regras.
Finalmente, como não poderia ser diferente, o Banco Mundial espera
que os brasileiros adotem uma atitude mais energética e rigorosa no combate ao
desmatamento, em especial na Amazônia.
A taxa medida em 2012, único ano em que o país desmatou menos de
5.000 Km2 na Amazônia, deve ser perseguida com investimento pesado,
repetido e mais realista em fiscalização, nos mesmos moldes de 2012.
Também com resultado imediato, os especialistas consideram que o
desmatamento na Amazônia pode ser zerado mantendo um orçamento planejado e
continuo no aparato de fiscalização, e nos outros instrumentos de política
pública inseridos no conhecido sistema de comando e controle.
Resumindo, para o Banco Mundial é possível casar o desmatamento
zero e as soluções da crise climática contribuindo para superar a crise fiscal
que se avizinha.
*Engenheiro
Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em
Desenvolvimento Sustentável (UnB).
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