Com determinação Congresso Nacional derruba os vetos do Presidente ao novo licenciamento ambiental

 * Ecio Rodrigues

Há mais de uma década o processo de licenciamento ambiental brasileiro vem sendo questionado em decorrência de duas constatações amplamente comprovadas em teses de doutorado e estudos variados.

A primeira constatação diz respeito à lista, às vezes interminável, de exigências de estudos para elaboração de um relatório, conhecido pelo acrônimo EIA/RIMA, que são incluídos sem qualquer cerimônia a cada vez que o processo de licenciamento muda de mesa e de analista ambiental no órgão de licenciamento ambiental federal ou estadual.

A segunda constatação se refere aos exorbitantes custos do processo como um todo, quer seja aquele necessário ao atendimento da lista interminável de estudos quer seja o custo relativo ao tempo de tramitação.

Por sinal, talvez esteja aí, no prazo indefinido, de fato, o fator que mais afugenta os investidores que insistem em aplicar recursos nos dois empreendimentos mais odiados pelos analistas ambientais do IBAMA e de vários órgãos estaduais: a construção de hidrelétricas e a exploração de petróleo.

Ambos os investimentos, por sinal, que exigem a captação de um volume astronômico de dinheiro e que criam, igualmente, uma quantidade exorbitante de empregos gerando renda e desenvolvimento onde quer que aconteçam.

Com prazo de resposta indefinido, o órgão ambiental não publica suas ordens deixando o investidor à espera e, claro, à deriva.

Com relação às hidrelétricas há ainda o inconveniente da estupidez que considera o uso da força das águas para gerar energia elétrica uma tecnologia suja equivalente à queima de diesel, devido à necessidade da barragem dos rios.

Nessa toada, cometem o despropósito de contaminar com preconceitos a construção de lagos que estocam um recurso precioso, que precisa e deve ser mantido em estoques cada vez maiores: a água.

Com sabedoria, no início dessa legislatura e após uma discussão que levou quase vinte anos, ainda em março os congressistas em Brasília aprovaram um novo marco legal com o objetivo de renovar o processo de licenciamento de modo a torná-lo menos oneroso, mais objetivo e, o mais importante, com prazos definidos.

Uma proposta que teve origem em parlamentares representantes do partido político do próprio governo federal que, após a aprovação com ampla maioria pelos Deputados Federais e Senadores, em uma atitude de exagerado populismo resolveu vetar mais de 60 dispositivos, descaracterizando a renovação do licenciamento ambiental no país.

Com apoio incompreensível de ambientalistas e de uma imprensa quase sempre fora de contexto, o projeto foi taxado como indutor de flexibilização, de afrouxamento e outras idiotices desse nível.

Aplausos não faltaram aos vetos e o Congresso Nacional teve que demonstrar uma rara sensatez ao derrubar cada um deles, de maneira democrática, determinada, acertada e incontestável.

Incompreensível a postura dos partidos de sustentação do próprio governo federal ao votar contra a Medida Provisória que retomou o imprescindível instrumento da Licença Ambiental Estratégica, justamente para acelerar a exploração de petróleo e a construção de hidrelétricas, proposta pelo próprio governo federal. Lastimável!

Em raros momentos da política brasileira o Congresso contrariou o Poder Executivo com tamanha sensatez e força de propósito.

Acertaram os parlamentares, ganhou a política nacional e o país saiu fortalecido, infelizmente, os contrários à democracia devem ir ao STF. Que vão!

 

*Engenheiro Florestal (UFRuRJ), mestre em Política Florestal (UFPR) e doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Política Nacional de Meio Ambiente, 40 anos depois

Conscientização de produtor não vai zerar queimadas na Amazônia

Madeireira da Amazônia começa a vender mogno com selo verde